23 February 2019

O temível Dr. Bioderma

Nuno Coutinho, oficial de Pesquisa e Busca, preparou o material. Dispôs tudo à sua frente por ordem cronológica:
bananas, dados, fisga (1x), kangaroos (2x), mantinhas, pistola e guardanapo.
Saiu de casa. Estava de chuva. Com o pé sentiu a temperatura da água numa pocinha. Como num neo-noir, puxou o colarinho e sussurrou:
- Isto é obra de bandidagem da grossa! Apressemo-nos!
Andou dois quarteirões e viu, no ponto-de-encontro, os compadres Pereira da Cruz e Victor Cordon. Só faltava o Penedo, agente. Coutinho ligou-lhe:
- Vens?
Não houve resposta. Começaram a ouvir um sibilar vindo do esgoto. Cordon baixou-se e espreitou. A tampa saiu disparada, atingindo-o na cara. Era uma sorte, pois Cordon era uma ilusão sensorial: só lá estava Coutinho. Penedo chegou de Über.
- Então? Ligaste mas estava em reunião.
- Não te lembras? É hoje que os maus saem do esgoto, que a escória sobe à superfície! O Cordon já se aleijou, o Pereirita fugiu...
Penedo estava já habituado aos devaneios do compincha. Agarrou-lhe no braço e gritou-lhe no ouvido:
- Amália levou-te a dançar? Vamos lá ter juízo!
- Entram ou quê? Quem estará a dizer isto? Sou eu, o fiel condutor da Über, Zeca Zé! Precisam de boleia?
Coutinho pegou no primeiro item: a banana. Comeu e deu a casca a Zeca Zé.
- Ajude-me a refletir: a tampa repete um slogan: "Beb'a vida": dois pontos: .."
- Ok? Não estou a seguir, mas esta casca leva-vos até ao esgoto Vamos?
- Sim! - uníssono cantado à tirol.
Entraram, para dentro, do esgoto, e estava lá um queque gigante.
- Qu'é qu'eu sou? - perguntou Bertrand Russell ao bolo. O queue explodiu, nutrindo os heróis.
- Não é aqui, vire à esquerda - disparou a pistola. Pode-se falar em morte assistida?
Este acto terminou a vida airosa dos protagonistas. Era tempo de apanhar o temível...
- Dr. Bioderma! Nãããããããããã... ah, sim. Olá!
Dr. Bioderma apareceu, encasacado e furioso, do capot do Über. Zeca Zé não tinha revisto o óleo, achou melhor dar à sola.
- Sôtor, viu por aqui bandidos? - perguntou Coutinho, sempre de chalaça.
- Vi-vos a vocês! Seus patifes, sabem bem o que fizeram, armados em detetives mas sois patifes, bem vos conheço. Ai!
- Oh doutor! Foi super queer em 1996? Essa coxa não engana!
- Respeitinho! Eu agora licenciei-me em Bio-Químicas, deixei-me disso. Mal vocês sabem da fama das minhas extrações de pele (a derma). Têm fama, chega a ser, municipal!
- Oh doutor! Os meus cozinhados.
Calou-se. Para quê palavras, afinal, quando podiam desenhar?


- Como vais pôr isso no blog? - perguntou Diet-L.
Pensei nisso, mas adiante. Bioderma avançou, com uma gravata no bolso.
- É lilás! - apontou.
- Para isso temos dados. Se calhar "chouriça", ganhámos!
Calhou 8, o dado ia até 12 apenas.
- Ah, assim posso pôr-vos a gravata! Tenho +6 em "beauty rolls".
Meteu, ficaram esbeltos.
- Assim como lhe fazemos frente?!
Dr. Bioderma era, de facto, invencível. Só lhes apetecia ir para a disco, abanar o calcanhar.
- Cuidado! - disse Aquiles, do Inferno - não estão a condizer.

*
Acordaram do feitiço, estavam na cama do gabinete do Dr. Bioderma.
- Psicoterapia a esta hora? Não me...
- Cala-te! Olha para o Sol - disseram os kangaroos (3x).
- Ui! Não eram só kangaroos (2x)?! E a fisga (1x)?? - questionou o guardanapo.
- És bolo? Antes eras papel, para limpar as beiças...
- Limpa-te às mantinhas! Meu cretino! Limpa-te às urtigas, quero lá saber - disse o guardanapo. Comeu-se:
- Saibo bem - lambeu-se.
- Olha!
- Diz!
- Nada.
- Ah ok.
- Já sei: alguns preferem urtigas!
O Dr. Bioderma assistia a tudo, estupefacto.
- Eu é só derma, não sei nada do psyche. É na porta ao lado, mas em cima, a doutora Lucinda. Subam degraus, na diagonal, se não vão parar ao Dr. Tanizaki! Ele é só nutrição. Bem haja!

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