Capítulo I - Numa estrada em Technicolor
Estava um plátano ao Sol a contar trocos. A pseudobaga precisava de meia dúzia de tostões para apanhar o autocarro até Torres Vedras, mas só tinha 9. Teve de prosseguir a pé.Andou e andou, até que deu de caras com um pacote de farinha de trigo.
- Olá amigo, que fazes no meio da estrada? Perdeste o sentido da existência? Não vês que quero passar e não me apetece fazer desvios?!
- Não sei… Só me lembro de ir a caminho da pastelaria Aparício. Ia fazer uma visita de final de ano lectivo e caí da carroça.
- FINAL DO ANO LECTIVO? MAS ESTAMOS EM 1948!! - interrompeu, de forma desnecessariamente brusca, o frutício.
- 1948? O ano ou local? Não me calhava nada bem ser 1948…
- O momento! O ano lectivo já acabou há mais de 15 lulas - esclareceu o amarelo - estás aqui de papo para o ar há duas cervejas? E a economia?
- Eh pá, quero lá saber disso, só tenho planos para 2016, tenho de acabar um top dos melhores filmes dos anos 80. Mas se isto de facto é 1948 causa-me algum transtorno.
- Eu dirijo-me a Torres Vedras, que fica adiante de 2016. Queres vir comigo?
Partiram juntos, mas antes de darem duplo-add no WhatsApp para continuarem a conversa encontraram um bife de peru pendurado numa árvore. O plátano levou a mal:
- Pretendes imitar um bananáceo mas o cheiro a bifana expôs-te!
- Não, apenas caí de uma avestruz.
- Pomada! Se falasses a verdade terias face de Honest Abe.
- Dito isto seguiram. A pseudobaga descascou-se e gritou:
- Estou farta de travessões. Vou enfiar este direitinho no potoca do maranhão!
Estavam nesta fabulação quando chega o dia 25 de Dezembro. O pacote ficou nostálgico quando viu numa televisão próxima um saleiro em forma de enchido. O seu padrasto, carapetão que era, uma vez apareceu vestido de salpicão. Mudou de canal e estava a dar Dragon Ball. “Olha o Sonbocu!”. Na realidade, era Umigame: a sua esposa ainda não tinha regressado da lua-de-mel, já tinham passado mil anos. Era um filler.
- Estou muito ansioso, Roshi! A minha Tuguinha deve-se ter perdido.
- Cala-te, espécie de mesa de café ambulante.
O pacote pegou nos travessões e constrúiu uma ponte para dentro da TV.
Capitulo II - "A metapod may change into an alheira, but the heart that beats inside remains the same"
Umigame carpia, era Natal, era estufa, era Dâmaso Salcede: “Tenho sede, Quaresma” diria Eça, havendo amêndoas. Mas não havia. Bebeu água salgada, porém engasgou-se numa sardinha, a sua mãe adoptiva. Pobre infeliz, logo neste dia que o fazia recordar tantos períodos festivos passados em alegria e harmonia com a sua mãe sardinha e Darth Vader, o papá.O seu pai era Darth Vader? Como? Vader fecundou um Peliper numa viagem ao Canal Caveira. Vamos contar a história.
Certo dia Darth espirrou num frasco a partir de uma extermidade central do seu corpo após visionamento cobiçoso de Banthaas, como a sua índole requeria. O radar de Bulma estava a falhar e indicou-lhe o dito cujo como se fosse uma bola de cristal, que ela roubou. Infelizmente isto calhou no Dia da Independência e caiu-lhe uma nave marciana na tola, fazendo-a perder o frasco. O vidro eventualmente foi encontrado e ingerido por Will Smith que fez uma lipoescultura com o conteúdo. Colocou-a numa prateleira sobre o aquário, mas quando Martin Lawrence saltou lá para dentro a arte foi atrás. Lawrence lançou uma pokébola e capturou um pequeno Wingull que por ali passava, “Piu!”. Para secar enfiou a lipoescultura numa carcaça de Metapod, mas esta, de imediato, evoluiu para uma alheira. Wingull, impressionado, digivoluiu para Angemon e depois para Peliper. Comeu a alheira mas engasgou-se e desatou a cuspir figos. Sete triênios depois, Vader apareceu em casa de Smith para uma noitada de bridge. Smith andava a tentar engatar uma sardinha nesta altura, mas foi com Vader que ela engraçou, ao topar que ele ressonava muito alto e conhecia calamares generais. Mataram o rapper de Bel Air e decidiram adoptar aqueles figos que Smith guardara, já podres. Eventualmente Vader reconheceu-os como seus descendentes porque possuíam a Força de três maçãs e disse: “Sou vosso ancestral direto, tartaruguem-se através deste wingardium leviosa!”. E os figos viraram uma pequena Cheloniidae. No entanto, aquela feitiçaria teve um efeito não antecipado: fez com que todos os Natais tresandassem a podre.
Capitulo III - O Ouroboro-Orestes
O cheiro a figo esborrachado enchia-lhe o coração e agora, passados 1637 anos, Umigame comia figo com sardinha, era uma espécie de Édipo, mas em boa verdade só lemos a versão resumida na Nova Gente. Nisto, um plátano e um pacote de farinha de trigo atravessam a revista preferida de Roshi. O velho, que sangrava abundantemente pelo nariz, mandou dois pinotes. Quando sossegou e estancou a hemorragia disse:- Vou-me vestir de Pai Natal.
Umigame foi ter com os estranhos, queria fazer um panado daquilo.
- Calma amigo, nós estávamos a ver TV e decidimos vir até aqui pois o nosso enredo do outro lado envolvia enfiar travessões no potoca do maranhão, e isso torna-se aborrecido. Que fazem por estes lados?
- A tristeza apodera-se de nós, a solidão envolve toda a nossa existência, escasseiam os frutos secos. Enfim, chamam a este lado de Inferno. Bem-vindos.
- Nunca pensei visitar uma ilha tropical no Inverno. Podíamos fazer de renas e dar mais charme à coisa. Têm por aí narizes vermelhos e cornadura? - perguntou alguém.
- Isso talvez animasse Roshi. Ele está a ficar biruta devido à referida falta de frutos secos e à solidão. Talvez o alegrasse ter um Natal com mais amigos. Podíamos fazer uma surpresa. - soletrou Umigame.
- Mas como? Ele já vestiu as calças… Ainda vamos a tempo?
- Umigame telefonou a Goku. Transcrevemos a conversa:
- Campeão, o Mestre está xoninhas. Importas-te de falecer? Depois aparece toda a gente e diz um cliché.
- Claro, é capaz de ser giro e parece ser um plano sólido.
Capitulo IV - Yahoo Answers
Roshi, vestido de Pai Natal, relincha repentinamente:- Valha-me Kami, e as renas?
- Estamos aqui! - disseram os nossos heróis, disfarçados.
Almoçou-os.
- Agora preciso de mais.
- Estou aqui! - disse Umigame, disfarçada.
- Não sei do raio da tartaruga, vou ter de consultar esta série de tubos para te arranjar um nariz vermelho.
Queria escrever “Como arranjar nariz à Rudolfo”, mas não percebia de teclados, escreveu “Oi, tudo bem coiote?”. Transcrevemos o primeiro resultado:
“Ela trabalha em uma lotérica e já faz uns 2 anos que eu pago contas lá, a primeira vez que eu fui nessa lotérica ela ficou me encarando e não tirava os olhos de mim, foi assim por alguns meses eu ia lá e ela ficava me olhando, mesmo quando eu ainda estava na fila, depois de um certo tempo toda vez que eu chegava lá ela dava uma olhada para mim, nos meus olhos, mas depois parava, e é assim até hoje quando eu vou la, eu comecei a gostar dela mas nunca tive coragem de perguntar o que ela sente, algumas vezes que eu vou lá ela nem olha para minha cara, ou pelo menos eu não vejo ela me olhando, outro detalhe é que quando eu olho para ela, e ela está me olhando, ela pára de olhar e vira o rosto, alguns dias atrás eu fui lá, ela me olhou diretamente nos olhos enquanto estava na fila, e quando fui no caixa dela ela sorriu e me disse “oi”, enquanto estava me atendendo ela olhava para mim e quando eu olhava ela virava para outro lugar, depois quando eu estava indo embora ela falou “tchau”.
Será que depois de tanto tempo ela continua olhando porque quer alguma coisa comigo?
Eu descobri o orkut dela e adicionei ela e escrevi uma mensagem assim para ela:
"Oi, tudo bem?
Estou te add porque queria te conhecer melhor, se quiser conversar me add no MSN"
Depois disto ela me adicionou no orkut, mas não mandou nenhuma mensagem.”
Capítulo V - Als heel de wereld eens van stokvis was
Quando chegaram à casa de Goku, esta estava toda rebentada. Seria obra de Antonio Veerbeck? Olhando para cima viu Vegeta nu e em posição de salpicão! Goku, vendo Roshi em perigo saltou em cima de Vegeta.- Optimpopompopmopom, não farás mal ao Natal! Pai Natal, trouxeste o regalo que me fará a menina mais alegre da aldeia?
- Ouh ouh ouh! Foste bom petiz?
Aproveitando a distração, Vegeta atirou Piccolo ao ar e espetou-lhe um pêro, impalando-o em Kakarot.
- Oh my god! Holy shit, Jay! Oh my god! Look at that fucking thing, bro! Fiquei orfão - choramingou Gohan.
Roshi atirou as mãos à cabeça e arrancou o chapéu.
- NÃO! Para quê tamanha violência? - disse enquanto tentava arrancar a barba, não se lembrando que era sua - Sou eu, o mestre das artes marciais, venho aqui mostrar o meu carinho por vocês e acabo a assistir ao empalamento do meu discípulo mais capaz. Que desgosto! Já não bastava ter ficado com a revista rebentada...
Dito isto, saiu de debaixo dos destroços “toda a gente”, a mandar foguetes e cenas do género que se mandam quando se faz uma surpresa.
- Supresa! - disse toda a gente.
Roshi, perplexo, perguntou o Umigame quem ia contar à Kika o sucedido, quando a viu entre toda a gente.
- Foi isto um plano maqueavélico da velha bruxa para se livrar do Goku e comer o Vegeta? Ela sempre preferiu outros vegetais a cenouras.
Mas Goku falou-lhes por telepatia:
“Meus amigos, aproveitem o Natal que é uma época muito bonita! Comam muitas filhoses e rabanadas e partilhem a vossa companhia com toda a gente. Até um dia!”
Umigame olhou para Roshi, com uma lágrima no canto do olho.
- Roshi, passámos tantos Natais sozinhos, liguei a uns amigos e decidimos organizar esta surpresa. O Goku foi-se mas podemos ligar-lhe todos os domingos.
- Mas... nós já cá vínhamos de qualquer forma, até me mascarei de Sinterklaas?!?!?!?
- Pois, mas assim foi surpresa e tal… Rebentámos com ele, e depois … “Surpresa!”. Para matares saudades podes recorrer ao stash de revistas que guardaste na casa do Goku para emergências.
- Mas essas agora estão soterradas, seu anormal. Mesa de café ambulante.
Neste momento fez-se silêncio porque o bife de peru caiu da árvore. Estava maduro.
En elke boom een worst
En iedere plas van zuiver schoensmeer
Waarmee lest men dan de dorst?
- Antonio Veerbeck