As primeiras palavras que surgiram (foram):
Quem, são, serão, dois, talvez, não.
Olá: uma saudação das mais usadas
As cuecas da Tia Cláudia, casada, (tinham) as notas de Soichiro.
- Uma salada de tomate?!
- Bem boa!
- Comeria duas lampreias...
Disseram:
- Oh, já está fixe o vídeo dos Tame Impala!
- Filmei sem consciência.
- De que começava a chover?
- Não, está bastante Sol até - (concluiu o) senhor de chapéu roxo que mastigava salsichas.
- Não temos aqui batatas fritas? - os pequenos dinossauros pediram à cabeça da FKA Twigs.
(original)
As primeiras palavras que surgirem são / quem são? Serão? Dois talvez não! Olá, / uma saudação das mais usadas / estavam as cuecas da Tia Cláudia, casada / com as notas de Soichiro, uma / salada de tomate! Bem boa, comi duas / lampreias disseram: "oh, já está / fixe o vídeo dos Tame Impala. Filmei / sem consciência de que começava a chover? / Não, está bastante Sol até, Senhor / de chapéu roxo que mastigava salsichas? / Não, temos aqui batatas fritas. / Os pequenos dinossauros pediram a cabeça / da FKA Twigs.
23 February 2019
A ambrósia mal-amada
Vénus esperava Marte, de rolo de massa na mão, mas não havia meio de ele chegar.
- Tenho Vénus de rolo de massa na mão à minha espera e esta música é bad omen, é melhor ir.
- Calma Marte, vê lá se não
- Marte (arte-arte)? És tu (uu-uu)? Volta para... a cama, vá (áá-áá).
Marte voltou. O dia tinha sido intenso, Zeus pediu-lhe para ajudar com o IRS, agora tinha de ser tudo na net. Crónica talvez indigna de uma mitologia nórdica, mas no Olympos trabalhamos com o que temos...
Deitou-se, e enfiou os pés gelados nas costas da Vénus.
- DESGRAÇADO! POR MARTE! ARRE!
Acontecia todas as noites!
- Desculpa, eh eh! Dá cá beijoca ao campeão!
Vénus atirou-lhe o rolo da massa à tola e virou costas.
Marte enfiou-lhe os pés outra vez.
- Agora já estão bem, amor =D! - beijocou Vénus.
Passados três banquetes e um tapete, Marte lembrou-se:
- Traí-te com Eurídice, a guitarra alada. Dessa união nasceu um pudim.
- Deixa-te de fantasias e possui-me!
- Pxee! Este pudim pode levar-nos ao trono! Que opinas tu?
- Tou 100 paciência para que não faças o Amor comigo, a poderosa e formosa Vénus!
- Não t'entendo, faz o que queres mulher, com a almofada! Eu cá vou-me levantar e fazer-me ao dia.
Hades esperou, e saiu do armário.
- Quase nos apanhou! Meu anjo, estou aqui escondido há sete séculos, tenho de ir ao kebab comprar uma chamuça.
- Outro! Nem marido nem amante me dão! Vou usar a mão!
- Err... ok, bora lá! - disse a mão.
- Sim, vem nu! - disse uma gaivota desnorteada.
- Ah, parecia a Morte!
- Não, é o Marte!
- Abandonou a Eurídice?
- Não, essa estava com o Marte há bocado! Nós vimos para o bingo - disseram um conjunto de deuses inconsequentes.
- "Vimos" ou "viemos"? - tossiu Hades.
- Hades, cheiras à minha dama!
- São chamuças, por quem sois!
- Como saberei agora? Se é chamuça ou perfume da Dona Vénus, minha mulher?
Uma situação bicuda. Só um a poderia resolver: Pepe Larigot.
- Alguém o vá buscar aos mortais!
De imediato surgiu o Über de Zeca Zé. Uma porta abriu-se e um corpo desmanchou-se.
- Deixo-vos aqui esta encomenda, está bezano mas disse que fazia aqui falta. São duas cascas de banana.
- CULPADO! - gritou Osiris.
- Calma, aqui é a Grécia! Inocente até prova do contrário. Oh Osiris, tu vens aqui e achas que mandas? - inquiriu Zé, ou Zeus. Osiris foi expulso do monte.
- Já conhecemos a acusação, as provas e os contra-argumentos. Para resolver o conflito, sugiro que Vénus decida.
- Decidir o quê?
- Este pudim, é ambrósia ou quê?!
- Vou provar.
Pegou no pudim, filho de Marte, e cheirou:
- Sabe a feedback elétrico.
- Vês, petiz, é assim que se faz a mamã feliz, caçando para ela. Amo-a muito, a minha pequena Vénus.
O pudim, que já contava com 37 anos e algum bolor, não falava à mãe desde que saíra do molde. Encheu o peito de coragem, virou-se para o papá e cantou:
- Pai, eu sei que sou adotado.
- Não usei adubos nem especiarias, concebi-te, eu mesmo, Marte, Deus da Guerra!
- Mas a mamã... quem é?
- Ah! É a tia Eurídice, já falecida. Desculpa filho, é difícil. A mamã Vénus forneceu o rolo de cozinha.
- Papá, ela sempre me comeu a torcer o nariz. Nunca me amou como sobremesa excepcional que sou, muito menos como filho.
- Oh filho, tu não és fácil de amar. És um gosto adquirido.
Com toda esta conversa já estavam a chegar. Vénus tinha a mesa para dois só.
- Veio o pudim... - lamentou.
Entraram. A tensão estava no ar, grossa como...
- Como eu! - interrompe Marte.
Sentaram-se. Velas decoravam a sala, incenso ardia, uma orquestra entrou.
- Marte, tenho muito que te contar. Encomendei um armário novo e o divórcio. Estou farta que tragas cá esse pudim! Preciso de experimentar outros sabores! Sou uma jovem ainda!
- Mas ele é teu filho! Vénus, o erro é nosso! Não me culpes pela fraca concepção.
- Usaste o rolo da Eurídice, isso sei eu..
- Vénus, come for me, oh
come for me, Venus
come for me, oh
come for me!
A orquestra tentava ajudar a salvar aquele casamento divino. O pudim interveio:
- Papás, se é assim, eu próprio me como hoje. Mas preciso de três coisas: uma colher, canela, e um beijinho de despedida.
De lágrimas nos olhos mas a abanar o capacete (escutava Knife no walkman) deu a primeira colherada.
- Zeus, isto aqui é uma balburdia! - resmungou Osiris - Venho com o Anubis para tomar conta.
- Quanto falta?
- Apenas a noite.......
- Boa-noite então.
*
- Não vás embora!- Tenho Vénus de rolo de massa na mão à minha espera e esta música é bad omen, é melhor ir.
*
Vénus deitou-se.
*
Marte chegou a tempo de ouvir o eco perguntar:
- Marte? És tu? Volta para...
Marte não voltou. Comi e caguei, tou satisfeito.
[Pausaram para uma jam com os Animal Collective]
- A tua mulher tem saudades for reverent greeeeeeen...
twigs tão intenso que tenho de comer uma batata-frita
#momento de composição de "olá - uma saudação das mais usadas"#
*
Marte chegou a tempo de ouvir o eco perguntar:- Marte (arte-arte)? És tu (uu-uu)? Volta para... a cama, vá (áá-áá).
Marte voltou. O dia tinha sido intenso, Zeus pediu-lhe para ajudar com o IRS, agora tinha de ser tudo na net. Crónica talvez indigna de uma mitologia nórdica, mas no Olympos trabalhamos com o que temos...
Deitou-se, e enfiou os pés gelados nas costas da Vénus.
- DESGRAÇADO! POR MARTE! ARRE!
Acontecia todas as noites!
- Desculpa, eh eh! Dá cá beijoca ao campeão!
Vénus atirou-lhe o rolo da massa à tola e virou costas.
Marte enfiou-lhe os pés outra vez.
- Agora já estão bem, amor =D! - beijocou Vénus.
Passados três banquetes e um tapete, Marte lembrou-se:
- Traí-te com Eurídice, a guitarra alada. Dessa união nasceu um pudim.
- Deixa-te de fantasias e possui-me!
- Pxee! Este pudim pode levar-nos ao trono! Que opinas tu?
- Tou 100 paciência para que não faças o Amor comigo, a poderosa e formosa Vénus!
- Não t'entendo, faz o que queres mulher, com a almofada! Eu cá vou-me levantar e fazer-me ao dia.
Hades esperou, e saiu do armário.
- Quase nos apanhou! Meu anjo, estou aqui escondido há sete séculos, tenho de ir ao kebab comprar uma chamuça.
- Outro! Nem marido nem amante me dão! Vou usar a mão!
- Err... ok, bora lá! - disse a mão.
*
Marte subia o Olimpo descalço. Via ao longe Zeus, imponente.
*
- Olha quem ali vem!
*
- A chama arde sem fogo.
*
- É o Marte?- Sim, vem nu! - disse uma gaivota desnorteada.
- Ah, parecia a Morte!
- Não, é o Marte!
*
Assim se passava um dia bem passado na Grécia. Mas, às vezes, também surgiam intrigas!
*
Orfeu saía do Inferno, de mão dada com São Vicente.- Abandonou a Eurídice?
- Não, essa estava com o Marte há bocado! Nós vimos para o bingo - disseram um conjunto de deuses inconsequentes.
- "Vimos" ou "viemos"? - tossiu Hades.
- Hades, cheiras à minha dama!
- São chamuças, por quem sois!
- Como saberei agora? Se é chamuça ou perfume da Dona Vénus, minha mulher?
Uma situação bicuda. Só um a poderia resolver: Pepe Larigot.
- Alguém o vá buscar aos mortais!
De imediato surgiu o Über de Zeca Zé. Uma porta abriu-se e um corpo desmanchou-se.
- Deixo-vos aqui esta encomenda, está bezano mas disse que fazia aqui falta. São duas cascas de banana.
*
Apresentavam-se ao tribunal: Hades, Vénus, Marte e Pepe Larigot.- CULPADO! - gritou Osiris.
- Calma, aqui é a Grécia! Inocente até prova do contrário. Oh Osiris, tu vens aqui e achas que mandas? - inquiriu Zé, ou Zeus. Osiris foi expulso do monte.
- Já conhecemos a acusação, as provas e os contra-argumentos. Para resolver o conflito, sugiro que Vénus decida.
- Decidir o quê?
- Este pudim, é ambrósia ou quê?!
- Vou provar.
Pegou no pudim, filho de Marte, e cheirou:
- Sabe a feedback elétrico.
*
Outro dia, Vénus duchava-se.
*
Anotha day, anotha dollah, lembrou-se Marte a meio de uma caçada ao javali. Ia com o pequeno pudim ao colo.- Vês, petiz, é assim que se faz a mamã feliz, caçando para ela. Amo-a muito, a minha pequena Vénus.
O pudim, que já contava com 37 anos e algum bolor, não falava à mãe desde que saíra do molde. Encheu o peito de coragem, virou-se para o papá e cantou:
- Pai, eu sei que sou adotado.
- Não usei adubos nem especiarias, concebi-te, eu mesmo, Marte, Deus da Guerra!
- Mas a mamã... quem é?
- Ah! É a tia Eurídice, já falecida. Desculpa filho, é difícil. A mamã Vénus forneceu o rolo de cozinha.
- Papá, ela sempre me comeu a torcer o nariz. Nunca me amou como sobremesa excepcional que sou, muito menos como filho.
- Oh filho, tu não és fácil de amar. És um gosto adquirido.
Com toda esta conversa já estavam a chegar. Vénus tinha a mesa para dois só.
- Veio o pudim... - lamentou.
Entraram. A tensão estava no ar, grossa como...
- Como eu! - interrompe Marte.
Sentaram-se. Velas decoravam a sala, incenso ardia, uma orquestra entrou.
- Marte, tenho muito que te contar. Encomendei um armário novo e o divórcio. Estou farta que tragas cá esse pudim! Preciso de experimentar outros sabores! Sou uma jovem ainda!
- Mas ele é teu filho! Vénus, o erro é nosso! Não me culpes pela fraca concepção.
- Usaste o rolo da Eurídice, isso sei eu..
- Vénus, come for me, oh
come for me, Venus
come for me, oh
come for me!
A orquestra tentava ajudar a salvar aquele casamento divino. O pudim interveio:
- Papás, se é assim, eu próprio me como hoje. Mas preciso de três coisas: uma colher, canela, e um beijinho de despedida.
De lágrimas nos olhos mas a abanar o capacete (escutava Knife no walkman) deu a primeira colherada.
*
Hades massajava Zeus quando este sentiu uma presença.- Zeus, isto aqui é uma balburdia! - resmungou Osiris - Venho com o Anubis para tomar conta.
*
- A partir de hoje - gritava Osiris, no topo do Olimpo - isto vai ser diferente, coiso e tal. Um dente por um olho, é a nova lei.
*
- Ouviste? Agora Osiris manda e tal - comentou Marte à mulher, durante o almoço. Falava com uma vassoura, de peruca e vestido. Vénus tinha-o deixado há 63 luas, levando consigo o rolo.
*
- Pepe Larigot perguntou à Morte:- Quanto falta?
- Apenas a noite.......
- Boa-noite então.
Divinal suspiro de Vénus
Mickey Mouse, num guardanapo, pensava:
- (Sou) feliz!
Desde que o sumo não faltasse...
Larigot lembrava um leitãozinho a mamar.
As tetinhas tinham leite (mas era) para o bezerro (se) manter.
Uma quinta-feira à noite:
- ALL ALONG THE WATCHTOWER...
- Homem, traz-me as chaves para a compreensão! Com suminho era divinal - suspirou Vénus - Marte, liga lá o carro, amor!
- Não chega tinta no dedo para fazer uma lei!
Vénus tinha saudades (d)as migalhas que sujavam o casaco de Larigot.
Caíram os dois no Inferno de Hades.
- Olá! Bem-vindos! Este é o hino nacional!
(original)
Mickey Mouse, num guardanapo, pensava, feliz, / desde que o sumo não faltasse. Larigot lembrava / um leitãozinho a mamar nas tetinhas / tinham leite para o bezerro. Manter uma quinta /-feira à noite. Homem, traz-me as chaves / para a compreensão: All along the watchtower com suminho era divinal / suspiro de Vénus. Marte, liga lá o carro amor! / Uma lei para a qual ele não nos faz uma / tinta no dedo. Vénus tinha saudades de quando / as migalhas que sujaram o casaco de Larigot caíram / os dois no Inferno de Hades. Olá! Bem-vindos! / Este é o hino nacional!
Está na altura de pintar a parede
Pepe Larigot estava triste porque viu a (sua) guitarra partida. Algo estava errado, (mas) já deu certo.
Larigot lamentava (agora) a perda da fome.
- As batatas sujavam tudo! (Mas) era incrível o sabor da batata camponesa... Que...
(Nisto), comparece à hora marcada pelo maior escritor, António Mega Zé, o Zeca da Über.
- Agora trabalho!
- Para quê tanta força a abrir um sumo? Calma!
- É preciso fazer força.
- Mas com jeitinho!...
- De andorinha a voltar?
- Nao, (com jeitinho de andorinha livre) a levantar voo na Primevera.
- Está na altura de pintar a parede?
(interpretação superficial da obra complexa)
Pepe Larigot representa um homem em forte conflito interno. No final das suas ações, tem satisfação momentânea que rapidamente desaparece para dar lugar à tristeza e nostalgia. Pepe pode também representar um anti-utilitário: o que interessa não são os fins, que são sempre insatisfatórios, mas sim os meios. É um personagem com aparentes contradições lógicas: (a) parte a guitarra porque o estado completo da guitarra era "errado", ficando "certo" depois de fragmentado - talvez como o próprio Pepe - (b) lamenta "já não estar com fome", sendo que normalmente o estado "estar com fome" é o não-desejado pelo Homem comum e (c) apesar das batatas o sujarem todo, há algo no sabor da batata que...
O encontro que parece furtuito entre Pepe Larigot, o homem introspectivo, com Zeca Zé, o homem quotidiano, é, na verdade causado por um "grande escritor". Nunca são revelado os verdadeiros motivos de António Mega (talvez um alias para algum escritor real, ou talvez uma metáfora que não necessite de mais precisão), pelo que ele permanece um personagem misterioso nesta obra. De notar que o seu nome "Mega" reforça a ideia de ele ser "grande". Este jogo de nomes está também presente no nome de "Zeca Zé", que, em oposição a "António Mega" (os nomes aparecem de seguida no texto) reforça a sua pequenez. No entanto, é Zeca Zé que "trabalha" na Über. Pode haver aqui duas alusões possíveis: (a) Zeca Zé é um "escravo" dos Grandes Homens ou (b) o próprio Zeca Zé é o über-mensch. Dada a continuação da obra, apostamos mais na opção (b), apesar de ser inconclusivo o nosso breve estudo.
Zeca Zé inicia o diálogo com Pepe Larigot anunciado que "agora trabalha!", o que denota que Pepe e Zeca já se conheceriam e que Zeca, talvez ao contrário de Pepe, está a conseguir alinhavar a sua vida.
A referência a um "sumo" é talvez o ponto mais alegórico desta pequena magnum opus dos autores. Pepe, um homem sensível, está chocado com a brutidão como Zeca Zé leva a sua vida. Pepe tenta apelar à suavidade, fazendo uma comparação com andorinhas, um bicho muito sensível e fofo. Também é feito um novo contraste entre Zeca Zé e Pepe Larigot: Zeca Zé comove-se com a "chegada", enquanto que Pepe Larigot prefere a "partida".
Por fim, Zeca Zé dá mais uma vez um exemplo do seu sentido bruto e prático: "chegou a Primavera? Está na hora de pintar ali a parede oh Pepe!"
Outra interpretação possível do final: Primavera significa renascer, coisa que Zeca Zé já conseguiu (arranjando um trabalho) mas que Pepe Larigot ainda não. Zeca Zé pode estar a tentar puxar o seu amigo, para potenciar o seu renascimento.
(original)
Pepe Larigot estava triste porque viu / a guitarra partida. Algo estava errado / já deu certo. Larigot lamentava a perda / da fome. As batatas sujavam tudo, era / incrível o sabor da batata camponesa / que comparece à hora marcada / pelo maior escritor António Mega Zé, / o Zeca, da Über. - Agora trabalho para / quê tanta força a abrir um sumo? Calma! / É preciso fazer força, mas com jeitinho / de andorinha, a voltar livremente na Primevera, / está na altura de pintar a parede.
Larigot lamentava (agora) a perda da fome.
- As batatas sujavam tudo! (Mas) era incrível o sabor da batata camponesa... Que...
(Nisto), comparece à hora marcada pelo maior escritor, António Mega Zé, o Zeca da Über.
- Agora trabalho!
- Para quê tanta força a abrir um sumo? Calma!
- É preciso fazer força.
- Mas com jeitinho!...
- De andorinha a voltar?
- Nao, (com jeitinho de andorinha livre) a levantar voo na Primevera.
- Está na altura de pintar a parede?
(interpretação superficial da obra complexa)
Pepe Larigot representa um homem em forte conflito interno. No final das suas ações, tem satisfação momentânea que rapidamente desaparece para dar lugar à tristeza e nostalgia. Pepe pode também representar um anti-utilitário: o que interessa não são os fins, que são sempre insatisfatórios, mas sim os meios. É um personagem com aparentes contradições lógicas: (a) parte a guitarra porque o estado completo da guitarra era "errado", ficando "certo" depois de fragmentado - talvez como o próprio Pepe - (b) lamenta "já não estar com fome", sendo que normalmente o estado "estar com fome" é o não-desejado pelo Homem comum e (c) apesar das batatas o sujarem todo, há algo no sabor da batata que...
O encontro que parece furtuito entre Pepe Larigot, o homem introspectivo, com Zeca Zé, o homem quotidiano, é, na verdade causado por um "grande escritor". Nunca são revelado os verdadeiros motivos de António Mega (talvez um alias para algum escritor real, ou talvez uma metáfora que não necessite de mais precisão), pelo que ele permanece um personagem misterioso nesta obra. De notar que o seu nome "Mega" reforça a ideia de ele ser "grande". Este jogo de nomes está também presente no nome de "Zeca Zé", que, em oposição a "António Mega" (os nomes aparecem de seguida no texto) reforça a sua pequenez. No entanto, é Zeca Zé que "trabalha" na Über. Pode haver aqui duas alusões possíveis: (a) Zeca Zé é um "escravo" dos Grandes Homens ou (b) o próprio Zeca Zé é o über-mensch. Dada a continuação da obra, apostamos mais na opção (b), apesar de ser inconclusivo o nosso breve estudo.
Zeca Zé inicia o diálogo com Pepe Larigot anunciado que "agora trabalha!", o que denota que Pepe e Zeca já se conheceriam e que Zeca, talvez ao contrário de Pepe, está a conseguir alinhavar a sua vida.
A referência a um "sumo" é talvez o ponto mais alegórico desta pequena magnum opus dos autores. Pepe, um homem sensível, está chocado com a brutidão como Zeca Zé leva a sua vida. Pepe tenta apelar à suavidade, fazendo uma comparação com andorinhas, um bicho muito sensível e fofo. Também é feito um novo contraste entre Zeca Zé e Pepe Larigot: Zeca Zé comove-se com a "chegada", enquanto que Pepe Larigot prefere a "partida".
Por fim, Zeca Zé dá mais uma vez um exemplo do seu sentido bruto e prático: "chegou a Primavera? Está na hora de pintar ali a parede oh Pepe!"
Outra interpretação possível do final: Primavera significa renascer, coisa que Zeca Zé já conseguiu (arranjando um trabalho) mas que Pepe Larigot ainda não. Zeca Zé pode estar a tentar puxar o seu amigo, para potenciar o seu renascimento.
(original)
Pepe Larigot estava triste porque viu / a guitarra partida. Algo estava errado / já deu certo. Larigot lamentava a perda / da fome. As batatas sujavam tudo, era / incrível o sabor da batata camponesa / que comparece à hora marcada / pelo maior escritor António Mega Zé, / o Zeca, da Über. - Agora trabalho para / quê tanta força a abrir um sumo? Calma! / É preciso fazer força, mas com jeitinho / de andorinha, a voltar livremente na Primevera, / está na altura de pintar a parede.
Três diálogos sobre Naturalismo
I. Música e culinária - calvice (Naturalismo artístico)
O solo de bateria ecoava das paredes amarelas e tal.
- Olha o Jimmy Kendricks!
- ... estou farto desses rappers todos!
- Alguns (até)...
- Nenhuns! (Prefiro) sopa, bife, pão...
- E azeite? E vinage balsámico? Só faltava sal...
Mas depois, uns dias mais tarde, viu Pepe Larigot - era um problema recorrente para a atriz.
Tirou a cabeleira postiça, era careca.
careca - alguém que carece pilosidade a nível 25
II. A Evolução no século XXI
- (O meu) Charmeleon ia evoluir para Charizard!
- Brilhante! De primeira edição?
- A carta? Mais ou menos...
- (Meu) Deus!
- Acho eu...
III. Breve rejeição do sobrenatural
Russell tossiu:
- (Somos) almas... apenas...
- (E) Deus? - Liebniz pergunta.
- Nada.
(original)
O solo de bateria ecoava das paredes / amarelas e tal. Olha o Jimmy Kendricks... / Estou farto desses rappers todos, / alguns, nenhuns, sopa, bife, pão e azeite / e vinagre balsámico. Só faltava sal, mas / depois, uns dias mais tarde, viu Pepe Larigot. / Era um problema recorrente para a actriz / tirou a cabeleira postiça - era careca, / alguém que carece pilosidade a nível / 25, Charmeleon ia evoluir Charizard / brilhante, de primeira edição a carta mais / ou menos Deus, acho eu, Russell tossiu: / - almas... apenas... Deus... Liebniz pergunta... / Nada.
O solo de bateria ecoava das paredes amarelas e tal.
- Olha o Jimmy Kendricks!
- ... estou farto desses rappers todos!
- Alguns (até)...
- Nenhuns! (Prefiro) sopa, bife, pão...
- E azeite? E vinage balsámico? Só faltava sal...
Mas depois, uns dias mais tarde, viu Pepe Larigot - era um problema recorrente para a atriz.
Tirou a cabeleira postiça, era careca.
careca - alguém que carece pilosidade a nível 25
II. A Evolução no século XXI
- (O meu) Charmeleon ia evoluir para Charizard!
- Brilhante! De primeira edição?
- A carta? Mais ou menos...
- (Meu) Deus!
- Acho eu...
III. Breve rejeição do sobrenatural
Russell tossiu:
- (Somos) almas... apenas...
- (E) Deus? - Liebniz pergunta.
- Nada.
(original)
O solo de bateria ecoava das paredes / amarelas e tal. Olha o Jimmy Kendricks... / Estou farto desses rappers todos, / alguns, nenhuns, sopa, bife, pão e azeite / e vinagre balsámico. Só faltava sal, mas / depois, uns dias mais tarde, viu Pepe Larigot. / Era um problema recorrente para a actriz / tirou a cabeleira postiça - era careca, / alguém que carece pilosidade a nível / 25, Charmeleon ia evoluir Charizard / brilhante, de primeira edição a carta mais / ou menos Deus, acho eu, Russell tossiu: / - almas... apenas... Deus... Liebniz pergunta... / Nada.
O temível Dr. Bioderma
Nuno Coutinho, oficial de Pesquisa e Busca, preparou o material. Dispôs tudo à sua frente por ordem cronológica:
bananas, dados, fisga (1x), kangaroos (2x), mantinhas, pistola e guardanapo.
Saiu de casa. Estava de chuva. Com o pé sentiu a temperatura da água numa pocinha. Como num neo-noir, puxou o colarinho e sussurrou:
- Isto é obra de bandidagem da grossa! Apressemo-nos!
Andou dois quarteirões e viu, no ponto-de-encontro, os compadres Pereira da Cruz e Victor Cordon. Só faltava o Penedo, agente. Coutinho ligou-lhe:
- Vens?
Não houve resposta. Começaram a ouvir um sibilar vindo do esgoto. Cordon baixou-se e espreitou. A tampa saiu disparada, atingindo-o na cara. Era uma sorte, pois Cordon era uma ilusão sensorial: só lá estava Coutinho. Penedo chegou de Über.
- Então? Ligaste mas estava em reunião.
- Não te lembras? É hoje que os maus saem do esgoto, que a escória sobe à superfície! O Cordon já se aleijou, o Pereirita fugiu...
Penedo estava já habituado aos devaneios do compincha. Agarrou-lhe no braço e gritou-lhe no ouvido:
- Amália levou-te a dançar? Vamos lá ter juízo!
- Entram ou quê? Quem estará a dizer isto? Sou eu, o fiel condutor da Über, Zeca Zé! Precisam de boleia?
Coutinho pegou no primeiro item: a banana. Comeu e deu a casca a Zeca Zé.
- Ajude-me a refletir: a tampa repete um slogan: "Beb'a vida": dois pontos: .."
- Ok? Não estou a seguir, mas esta casca leva-vos até ao esgoto Vamos?
- Sim! - uníssono cantado à tirol.
Entraram, para dentro, do esgoto, e estava lá um queque gigante.
- Qu'é qu'eu sou? - perguntou Bertrand Russell ao bolo. O queue explodiu, nutrindo os heróis.
- Não é aqui, vire à esquerda - disparou a pistola. Pode-se falar em morte assistida?
Este acto terminou a vida airosa dos protagonistas. Era tempo de apanhar o temível...
- Dr. Bioderma! Nãããããããããã... ah, sim. Olá!
Dr. Bioderma apareceu, encasacado e furioso, do capot do Über. Zeca Zé não tinha revisto o óleo, achou melhor dar à sola.
- Sôtor, viu por aqui bandidos? - perguntou Coutinho, sempre de chalaça.
- Vi-vos a vocês! Seus patifes, sabem bem o que fizeram, armados em detetives mas sois patifes, bem vos conheço. Ai!
- Oh doutor! Foi super queer em 1996? Essa coxa não engana!
- Respeitinho! Eu agora licenciei-me em Bio-Químicas, deixei-me disso. Mal vocês sabem da fama das minhas extrações de pele (a derma). Têm fama, chega a ser, municipal!
- Oh doutor! Os meus cozinhados.
Calou-se. Para quê palavras, afinal, quando podiam desenhar?
- Como vais pôr isso no blog? - perguntou Diet-L.
Pensei nisso, mas adiante. Bioderma avançou, com uma gravata no bolso.
- É lilás! - apontou.
- Para isso temos dados. Se calhar "chouriça", ganhámos!
Calhou 8, o dado ia até 12 apenas.
- Ah, assim posso pôr-vos a gravata! Tenho +6 em "beauty rolls".
Meteu, ficaram esbeltos.
- Assim como lhe fazemos frente?!
Dr. Bioderma era, de facto, invencível. Só lhes apetecia ir para a disco, abanar o calcanhar.
- Cuidado! - disse Aquiles, do Inferno - não estão a condizer.
- Psicoterapia a esta hora? Não me...
- Cala-te! Olha para o Sol - disseram os kangaroos (3x).
- Ui! Não eram só kangaroos (2x)?! E a fisga (1x)?? - questionou o guardanapo.
- És bolo? Antes eras papel, para limpar as beiças...
- Limpa-te às mantinhas! Meu cretino! Limpa-te às urtigas, quero lá saber - disse o guardanapo. Comeu-se:
- Saibo bem - lambeu-se.
- Olha!
- Diz!
- Nada.
- Ah ok.
- Já sei: alguns preferem urtigas!
O Dr. Bioderma assistia a tudo, estupefacto.
- Eu é só derma, não sei nada do psyche. É na porta ao lado, mas em cima, a doutora Lucinda. Subam degraus, na diagonal, se não vão parar ao Dr. Tanizaki! Ele é só nutrição. Bem haja!
bananas, dados, fisga (1x), kangaroos (2x), mantinhas, pistola e guardanapo.
Saiu de casa. Estava de chuva. Com o pé sentiu a temperatura da água numa pocinha. Como num neo-noir, puxou o colarinho e sussurrou:
- Isto é obra de bandidagem da grossa! Apressemo-nos!
Andou dois quarteirões e viu, no ponto-de-encontro, os compadres Pereira da Cruz e Victor Cordon. Só faltava o Penedo, agente. Coutinho ligou-lhe:
- Vens?
Não houve resposta. Começaram a ouvir um sibilar vindo do esgoto. Cordon baixou-se e espreitou. A tampa saiu disparada, atingindo-o na cara. Era uma sorte, pois Cordon era uma ilusão sensorial: só lá estava Coutinho. Penedo chegou de Über.
- Então? Ligaste mas estava em reunião.
- Não te lembras? É hoje que os maus saem do esgoto, que a escória sobe à superfície! O Cordon já se aleijou, o Pereirita fugiu...
Penedo estava já habituado aos devaneios do compincha. Agarrou-lhe no braço e gritou-lhe no ouvido:
- Amália levou-te a dançar? Vamos lá ter juízo!
- Entram ou quê? Quem estará a dizer isto? Sou eu, o fiel condutor da Über, Zeca Zé! Precisam de boleia?
Coutinho pegou no primeiro item: a banana. Comeu e deu a casca a Zeca Zé.
- Ajude-me a refletir: a tampa repete um slogan: "Beb'a vida": dois pontos: .."
- Ok? Não estou a seguir, mas esta casca leva-vos até ao esgoto Vamos?
- Sim! - uníssono cantado à tirol.
Entraram, para dentro, do esgoto, e estava lá um queque gigante.
- Qu'é qu'eu sou? - perguntou Bertrand Russell ao bolo. O queue explodiu, nutrindo os heróis.
- Não é aqui, vire à esquerda - disparou a pistola. Pode-se falar em morte assistida?
Este acto terminou a vida airosa dos protagonistas. Era tempo de apanhar o temível...
- Dr. Bioderma! Nãããããããããã... ah, sim. Olá!
Dr. Bioderma apareceu, encasacado e furioso, do capot do Über. Zeca Zé não tinha revisto o óleo, achou melhor dar à sola.
- Sôtor, viu por aqui bandidos? - perguntou Coutinho, sempre de chalaça.
- Vi-vos a vocês! Seus patifes, sabem bem o que fizeram, armados em detetives mas sois patifes, bem vos conheço. Ai!
- Oh doutor! Foi super queer em 1996? Essa coxa não engana!
- Respeitinho! Eu agora licenciei-me em Bio-Químicas, deixei-me disso. Mal vocês sabem da fama das minhas extrações de pele (a derma). Têm fama, chega a ser, municipal!
- Oh doutor! Os meus cozinhados.
Calou-se. Para quê palavras, afinal, quando podiam desenhar?
- Como vais pôr isso no blog? - perguntou Diet-L.
Pensei nisso, mas adiante. Bioderma avançou, com uma gravata no bolso.
- É lilás! - apontou.
- Para isso temos dados. Se calhar "chouriça", ganhámos!
Calhou 8, o dado ia até 12 apenas.
- Ah, assim posso pôr-vos a gravata! Tenho +6 em "beauty rolls".
Meteu, ficaram esbeltos.
- Assim como lhe fazemos frente?!
Dr. Bioderma era, de facto, invencível. Só lhes apetecia ir para a disco, abanar o calcanhar.
- Cuidado! - disse Aquiles, do Inferno - não estão a condizer.
*
Acordaram do feitiço, estavam na cama do gabinete do Dr. Bioderma.- Psicoterapia a esta hora? Não me...
- Cala-te! Olha para o Sol - disseram os kangaroos (3x).
- Ui! Não eram só kangaroos (2x)?! E a fisga (1x)?? - questionou o guardanapo.
- És bolo? Antes eras papel, para limpar as beiças...
- Limpa-te às mantinhas! Meu cretino! Limpa-te às urtigas, quero lá saber - disse o guardanapo. Comeu-se:
- Saibo bem - lambeu-se.
- Olha!
- Diz!
- Nada.
- Ah ok.
- Já sei: alguns preferem urtigas!
O Dr. Bioderma assistia a tudo, estupefacto.
- Eu é só derma, não sei nada do psyche. É na porta ao lado, mas em cima, a doutora Lucinda. Subam degraus, na diagonal, se não vão parar ao Dr. Tanizaki! Ele é só nutrição. Bem haja!
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