4 August 2011

Clint Eastwood e o seu Mundo

O Clint Eastwood e o seu Mundo estavam a dar um passeio quando ele repara num sujeito negro:
`Olha um jovem a correr a meia-maratona de Panoias. Não estou amenos nem amais nesta situação, vou participar também. Pegou na Magnum e no flamingo cor-de-tijolo e foi correr atrás do rapaz. Ultrapassou-o e riu-se descontroladamente.'
`Isso é batota! O flamingo é de cor irregular e tu tens uma Magnum para me matares.'
`Quem falou?' inquiriu Clint, já na meta `Se tivesse sido o Chuck Norris haveria barba espalhada pelo percurso. Logo, só pode ter sido o Daffy Duck ou o Francis' disse Clint, tinha estudado lógica na Faculdade.
`Sou eu, o teu filho perdido. O nigeriano português, corredor e sportinguista. O meu nome é Francis Obikwelu!' Mas Clint não lhe ligou nenhum e foi para o Olimpo. Pelo caminho cruzou-se com Hércules e matou-o com o olhar.
`Mas que vem a ser isto? Eu já te pedi para parares de dar cabo da minha imortalidade aos sábados!' berrou Hércules, chateado `Aos Domingos tenho de ir à missa e sabes que morrer dá-me gazes.'
`Desculpa mas não é algo que consiga controlar. Pisco muito os olhos quando ouço a Afrodite. Deve ser uma alergia ou parvoíce minha.'

Enquanto isto, Hades roubava galinhas no quintal. Quando olhou para o seu computador portátil viu que a sua amante, Athena, havia falado com ele.
Athena: Que fazes?
Hades: Apodero-me de galinhas. Preciso de te ver refletida nas suas entranhas.
Athena: :O"
Hades: É...
Athena: Isso é tão romântico!
Hades: Por ti faço tudo, fofinha. Até posso dançar passo-doble com Zeus. Queres?
Athena: Já falamos. Vou ali buscar as galinhas das nossas para fazer um arrozinho.
Hades: Vais à neve?
Athena: Sim, até já.

Afrodite voltava da farmácia com preservativos e lixívia. Ao ser inquirida sobre as suas compras, respondeu:
`Zeus precisa disto para parar de ter filhos e roupa suja.'
`És meia parva, oh Dite' profere Clint, a fumar um cortinado `Zeus já é estéril. Quanto à roupa já não se suja tanto porque agora é mais usada a nudez completa.'
`Não sabia! E agora, que farei? Gastei tudo o que poupei até hoje nestes produtos ...'
`Não tenho já paciência para te aturar. Fazes-me piscar os olhos e compras produtos inúteis' matou-a à dentada.
Mais à noite, Zeus apareceu nu e gemeu até cozer um ovo.
`O jantar está na mesa, meninos!' disse o mestre do Olimpo. No entanto, ao olharem mais atentamente, os convidados observamos que ele tinha os rins de fora e um novo penteado.
`Que te aconteceu? Ontem tinhas caracóis!'
`Frizei! Gostas, Poseidonzito?'


Crow & doom

3 August 2011

A Viagem de Arnaldo

  Em meados do século XIV, na região do Minho, nascia um soberbo urso sem cabeça.
  `Que estranha situação' pensaram todos os habitantes da floresta onde a Mãe-Ursa pariu tão singela criatura. Batizaram-no Arnaldo e colocaram uma melancia sobre o seu pescoço.

* * * *

  Chegou à adolescência feito um rapagão, muito aventureiro, inteligente e temerário, desejado pelas outras ursas-melancia graças às perucas bem janotas que usava, detentor do recorde de subida a penedos enquanto cuspia pevides.
  No entanto isto não lhe chegava. Sentia que o Mundo precisava dele. Foi assim que aos 16 anos partiu à exploração e abandonou o conforto da sua gruta.

 * * * *

  Seguiu para Oeste porque pensava que assim encontraria menos aranhas - ouvia lendas das Aranhas do Este, comedoras de melancias, contadas por grilos da Floresta Encantada. Levou duas sanduíches e um saco de batatas assadas e fez-se à impiedosa jornada. Saltitou ao pé-coxinho durante a primeira meia-hora e andou a trote quando avistou dois gambuzinos com ar maroto, como quem vai acasalar e produzir criancinhas se não forem impedidos. Como não gostava de ver poucas-vergonhas bateu palmas e gritou: `Cuidado com as DST!'.
  Os gambuzinos pararam de ser malcriados e apresentaram-se:
  `Sou a Ivete Semgalo, desculpa o cheiro a repolho. Queres comer connosco?'.
  Arnaldo não possuia sistema digestivo com capacidade para digerir verduras e, portanto, declinou a oferta. Papou ambos os gambuzinos nas sanduiches e arrotou, com classe, o macho. Inspeccionando os pertences verificou que se tratavam de gambuzinos reais, feitos de repolho. O único reino de gambuzinos ficava próximo, na lua de Vénus. Por ser tão fácil saltar até chegar à tal lua, Arnaldo recusou-se a realizar tal tarefa e partiu imediatamente.

* * * *

  Continuou dois metros para Oeste e começou a sentir-se diabético. Parou para merendar.
  `Nada de açucares!' gritou a um passarinho que lhe trazia uma carta. Era um pão-de-ló espalmado.
  `E um cházinho?' bufou o nosso herói.
  `Pede à vaca Mimosa' retorquiu o passarinho, expelindo fezes audazmente. A bovina, que por ali se encontrava, começou a esguichar leite. Entretanto o passarinho apresentou-se:
  `Sou o Diogo Amado' disse Poupas, disfarçado de pintassilgo. `Queres chouriças?' e atirou-lhe duas.
  `Sabem a triângulo-de-sinalização mergulhado em rechaça de abelhas... Quero mais!' o urso apreciava metal enriquecido com algo próximo do mel.
  `Querem juntar-se a um grupo de expedição à lua de Vénus?' perguntou o Poupas, ainda um mestre do disfarce.
  `Não, lá está muito calor' disse Arnaldo e bebeu o leite expelido pela Mimosa.

* * * *

  Partiu, não sem antes antes escutar o barulho do estômago e constatar que ainda tinha larica, o que o levou a comer um louva-a-deus verdinho e a vaca Mimosa.
  Percorreu duas quintas à procura de missões especiais. Falhou e então decidiu continuar para uma casa assombrada, ver se lá havia fantasmas para caçar.
  `Quero droga!' gritou o fantasma do John Lennon.
  `A cocaina não és buena para a tua saudita' disse a Alice a assoar-se. Arnaldo deu-lhe um lenço, e um sopapo ao fantasma.
  `Estás perdido urso ou gostas de cerejas?' miou Alice, nua e sem preconceitos.
  `Quero sentir o vibe fluir pela minha melancia, quero disparar pevides pelos olhos, minha dama.'
  Alice sentiu que estava perante um Apólo, e apreciando mais os Dionísios fugiu dali. Arnaldo foi então para o interior da casa procurar um foguete para ir para a lua de Vénus. Teve sucesso e, assim, morreu.


Crow & doom