28 August 2019

[BURLA #2] Uma semana conturbada no Olimpo

Muitos de vós já sabem a nossa opinião sobre a tradução da nossa história canónica "A ambrósia mal-amada" para o francês. Desde a escolha polémica do título (diga-se que nunca foi sequer explícito que se tratou de "uma semana"...), a mudança de nome de alguns personagens (o nosso Hades passou a chamar-se Coraçãozinho de Satã...), ou a introdução demasiado óbvia de referências à música POP portuguesa dos anos 80.
É com nojo que reagimos ao sucedido: a nossa tradução do francês "Une semaine conturbais dans L'Olimpe" ou lá o que é, já com problemas, está a ser reimpressa em Portugal, no Brasil e nos PALOP como "Uma semana conturbada no Olimpo", sendo que o burlão assina a história com o seu nome (que não vamos colocar aqui porque é desnecessário citá-lo de forma direta). Pensamos que o próprio burlão não sabia que o original já era em português, daí ter traduzido para a língua original.
Enfim, é um caso caricato este em que nos vemos envolvidos.

Uma semana conturbada no Olimpo


Ouviu-se o divinal suspiro de Vénus. Tinha preparado um banquete para três, mas Marte nunca mais aparecia. Estava já de rolo massa na mão quando chegou Coraçãozinho de Satã.
- Querida Vénus, que bela refeição me apresentas!

Ao mesmo tempo, em Namek, Marte vestia-se.
- Marte, fica mais um pouco, o Orfeu ainda demora - mas Marte já saía.
- Euridice - disse Marte, sem nunca olhar para trás - tu continuas à espera do melhor que já não vem. Ouvi rumores de que a cabeça decepada do Orfeu continua a cantar por ti, enquanto desce o rio Evros.
- Que maus agouros me trazes! Desaparece daqui!

- Vénus, tu estás só e eu mais só estou, e há uma noite para passar. Porque não vamos unir-nos? Porque não vamos entrar na aventura dos sentidos? Tens a minha mão aberta à espera de se fechar nessa tua mão deserta.
- A esperança foi encontrada antes de ti por alguém, Coraçãozinho de Satã. O meu amor é o Marte.
- Vem, que o amor é o momento que o faz, e eu sou melhor que nada!

Nisto, entra Marte em casa, e prontamente leva com o rolo de massa na tola.
A comida já está fria! - gritou-lhe Vénus.
- Desculpa o atraso, fui buscar a sobremesa, este belo pudim.
Vénus aproximou-se e cheirou o pudim. Marte perguntou-lhe:
Então? É ambrósia?

Anos mais tarde, Marte cavalgava um unicórnio com o pudim no regaço; estavam a caçar javalis alados. Marte avistou um e disparou uma flecha, que acertou no lombo do javali.
- Vês, filhote? O segredo para caçar um mortal é este: fazes-lhe uma ferida profunda, e depois esperas que ele se esvaia em sangue. Nós temos tempo, podemos ser pacientes, eles não.
Eventualmente apanharam o javali, ataram-no a uma pata traseira do Pégasus e começaram a voltar para casa. Até que:
- Paizinho, eu sei que fui adotado.
- Adotado?! Eu mesmo te concebi, com toda a minha pujança! Eu, Marte, Deus da Guerra!
-Sim, paizinho. Reconheço as minhas feições em ti. Mas a mãe... ela sempre me trincou a torcer o nariz. Nunca me apreciou como a sobremesa divinal que sou, muito menos como seu filho.
Oh pudim, tu não és fácil de amar. És... um gosto adquirido.
Com isto chegaram a casa. Vénus preparava a mesa, só para dois.
Ele trouxe o pudim outra vez ... - resmungou.
Marte e o pudim entraram em casa e pousaram o javali na banca. Estava um ambiente pesado enquanto removiam as entranhas do bicho. Quando já não dava mais:
Marte, quero o divórcio. Eu sei que confecionaste esse pudim com o rolo da Eurídice.
Por Zeus! Por quem me tomas?!
Seja como for, eu preciso de experimentar novos sabores, sou uma jovem ainda. Contigo é sempre pudim! Adeus Marte!
Vénus preparava-se para sair de casa enquanto Marte chorava num canto, até que o pudim interveio, num rasgo de heroísmo pouco comum em Homens ou Deuses.
- Papás, não tem mal, eu próprio me como. Preciso apenas de três coisas: uma colher, canela, e um beijinho de despedida.
Ainda de lágrimas nos olhos deu a primeira colherada.

[BURLA #1] Márcio Bros

Esta semana um leitor felicitou-nos pelo nosso trabalho na saga "Márcio Bros.", dizendo que tem os dois primeiros volumes, datados de 2014. Foi com espanto que lemos a sua carta, uma vez que nunca publicámos tais histórias. Pedímos ao leitor que nos enviasse uma amostra dessas histórias, e ele facultou-nos a primeira página de cada uma, que colocamos nesta publicação.

Podem notar que é uma forja bem conseguida, imitando o nosso estilo de "Confusão Parva" mais prevalente na nossa fase (ainda anónima) de 2006 a 2012. No entanto a história data de 2014, um período de inatividade criativa da nossa parceria e, ao lerem a história com atenção, irão notar que a história não parece ser escrita por duas pessoas (como é nosso hábito) mas por, pelo menos, oito mãos descoordenadas. 

Não nos iremos alongar na análise para já, mas o Crow está a preparar uma redação para ajudar o comum leitor a apanhar este tipo de burla.

Márcio Bros. I: Márcios vão à missa ateísta e acabam num chalet


Os irmãos Márcio estavam desejosos de provar que eram machos através de um feito inédito. Canalizadores de renome como eram, decidiram participar num pornô usando um instrumento conhecido como o “Cofrinho mágico”. Dentro do “cofrinho” encontravam-se uns coletes de cabedal, três perucas vermelhas e um bonito dragãozinho com um sabre, Yoshi-mitsu.
Estavam a sair quando surge um desajeitado par de mamas.
- Olá! - cumprimentou a moça, escorregando na casca da banana do famoso irmão dum outro Luigi, esse com bigode - Viram R. Dawkins? Abusou de mim ontem e nem sequer ligou depois.
- Ohmeohdels! - exclamou Luigi - Estive na missa ao seu renascimento como Penedo e vi uma donzela cheirosa com três pelinhos no queixo. Miei-lhe muito, dancei a “marrabenta do amor” e perguntei-lhe o nome. Chamava-se Salamona, e tinha uma grande...
- CUIDADO COM AS POUCAS VERGONHAS!
- MINHAS VERGONHAS NÃO SÃO POUCAS!
- Luigi, acalma-te lá antes que te fique a laringe inflamada e não possas comer torresmo. - advertiu-o Márcio.
Torresmo e seios era o que Salamona gostava. O que era estranho, visto que, de facto, tinha uma grande árvore plantada entre os mais carnudos fêmures ja vistos na Marciolândia. Tinha comido todo o torresmo mais gordurento que encontrou e se preparado para a sensacional película pornográfica dos irmãos Márcio.
[fim do excerto]

Márcio Bros. II: Márcios fazem uma tour do amor pela Península Ibérica

Márcio Márcio e o mano Luigi Márcio decidiram dizer às suas esposas “Salsicha saltitona, livra!” e agarraram numa machadinha e mataram-nas. Ingerir demasiados cogumelos numa madrugada de lua-cheia é propício de ânsias sanguinárias generosas em maionese.
- Luigi, estamos livres! As meretrizes com os peitinhos cobertos de margarina do bairro nojento de Viseu, que parece um pantanal, esperam-nos!
Luigi lambusava-se. A baba acumulou-se até inundar o pensamento de Márcio: queria moças roliças, embora fosse divulgado que, abaixo da Galiza, algumas delas escondiam uma potente quantidade de pelugem. Itália, ora sì guardami, há muito desesperada pela depilação mundial, atira um Penedo, ou dois, conforme ...
- Acorda Márcio! Estavas a encavacar. Chegámos ao Pingo Doce e o bairro do prédio porcalhão, frequentado pela alta-média classe, aprochega-se - gritou Luigi.
- O Borgório anda a fingir que faleceu - avisou a motorista - mas procurem-no que um espécime machão papou-me e recomendou-o.
- Isso é anti-natura! - disse o Dave Grohl, raptando a senhora para formar um supergrupo de cozinheiros hermafroditas.
Os italianos seguiram, sozinhos, para o bairro alto para comerem pudins e vislumbrar senhoras. Avistaram um ganso a ser afogado nas suas mágoas.
- Que se passa? Porque afogas o ganso da tia Clotilde? És o vil Borgório? - inquiriu Luigi Márcio, triste.
Fechando a braguilha, Márcio Márcio saca uma navalha das ventas de Luigi e esfaqueia o marido de uma robalo, que cometia poucas-vergonhas. Riu-se do sucedido quando a robalo interveio:
- Drip bloop!
Frustrado, Borgório jurou abandonar o disfarce! Mas Zeus fulminou-o, deixando-o sem o disfarce de todo. O ganso agradeceu. Rafiki ergueu Simba, mas enganou-se no animal, erguendo o tostado Borgório e o tornado bóhrio, quase deixando-os cair.
- Caruma, caruma, caruma, perdi a minha pratada de bacalhau-com-natas - reclamou Luigi, vestido de pequenas rodas.
Pouco depois ele avistou uma formosa senhora à janela. Peitinhos de perú caíram do céu de tão bela que era: clip clop squeak! O seu nome era Andrej Pejic.
- Bonsoire, Andreia Pevide! - cumprimentou-a Luigi Márcio - Je mápéle Luigi. Voulevous coucheavecmoi, c'est soire? - mostrando a sua fluência linguística.
- Vêm-me às fuças! - acrescentou Andrej, carinhosamente.
Ao mesmo tempo, Márcio Márcio prescutava uma série de asiáticas jeitosinhas.
- Apetite! Nada como japonesas, ou qualquer jovem de olhos em...
- Alto! - gritou a robalo, invejando a atenção - dou-te uma facada! Que vem a ser esta parada de gueixas?
Marcio chateou-se e usou a dentuça do seu pai, de edição limitada, para a devorar.
- Ai, despacha-te Marcio, o bordel vai fechar! - avisou uma das japonesas gostosonas, que cheirava a amor - Não tenho tempo para me preparar para plantar batatas, anda lá que vamos caçar gambozinos.
Dirigiram-se os dois para a casa do Dunkel com uma inflamação na virilha. Dançaram muito flamenco até o dentista chegar:
- Dr. Dunkel, queremos fazer o amor sem recorrer a pasta dentífrica. Que outro estimulante recomenda?
- Vietnamitas irreverentes diriam que a escolha pode ser feita enquanto perus indagam. Portanto, recomendo gasolina.
Márcio apressou-se a adquirir o elixir fazendo o pé-coxinho em direção à Galp
[fim do excerto]