É com nojo que reagimos ao sucedido: a nossa tradução do francês "Une semaine conturbais dans L'Olimpe" ou lá o que é, já com problemas, está a ser reimpressa em Portugal, no Brasil e nos PALOP como "Uma semana conturbada no Olimpo", sendo que o burlão assina a história com o seu nome (que não vamos colocar aqui porque é desnecessário citá-lo de forma direta). Pensamos que o próprio burlão não sabia que o original já era em português, daí ter traduzido para a língua original.
Enfim, é um caso caricato este em que nos vemos envolvidos.
Uma semana conturbada no Olimpo
- Querida Vénus, que bela refeição me apresentas!
Ao mesmo tempo, em Namek, Marte vestia-se.
- Marte, fica mais um pouco, o Orfeu ainda demora - mas Marte já saía.
- Euridice - disse Marte, sem nunca olhar para trás - tu continuas à espera do melhor que já não vem. Ouvi rumores de que a cabeça decepada do Orfeu continua a cantar por ti, enquanto desce o rio Evros.
- Que maus agouros me trazes! Desaparece daqui!
- Vénus, tu estás só e eu mais só estou, e há uma noite para passar. Porque não vamos unir-nos? Porque não vamos entrar na aventura dos sentidos? Tens a minha mão aberta à espera de se fechar nessa tua mão deserta.
- A esperança foi encontrada antes de ti por alguém, Coraçãozinho de Satã. O meu amor é o Marte.
- Vem, que o amor é o momento que o faz, e eu sou melhor que nada!
Nisto, entra Marte em casa, e prontamente leva com o rolo de massa na tola.
A comida já está fria! - gritou-lhe Vénus.
- Desculpa o atraso, fui buscar a sobremesa, este belo pudim.
Vénus aproximou-se e cheirou o pudim. Marte perguntou-lhe:
Então? É ambrósia?
Anos mais tarde, Marte cavalgava um unicórnio com o pudim no regaço; estavam a caçar javalis alados. Marte avistou um e disparou uma flecha, que acertou no lombo do javali.
- Vês, filhote? O segredo para caçar um mortal é este: fazes-lhe uma ferida profunda, e depois esperas que ele se esvaia em sangue. Nós temos tempo, podemos ser pacientes, eles não.
Eventualmente apanharam o javali, ataram-no a uma pata traseira do Pégasus e começaram a voltar para casa. Até que:
- Paizinho, eu sei que fui adotado.
- Adotado?! Eu mesmo te concebi, com toda a minha pujança! Eu, Marte, Deus da Guerra!
-Sim, paizinho. Reconheço as minhas feições em ti. Mas a mãe... ela sempre me trincou a torcer o nariz. Nunca me apreciou como a sobremesa divinal que sou, muito menos como seu filho.
Oh pudim, tu não és fácil de amar. És... um gosto adquirido.
Com isto chegaram a casa. Vénus preparava a mesa, só para dois.
Ele trouxe o pudim outra vez ... - resmungou.
Marte e o pudim entraram em casa e pousaram o javali na banca. Estava um ambiente pesado enquanto removiam as entranhas do bicho. Quando já não dava mais:
Marte, quero o divórcio. Eu sei que confecionaste esse pudim com o rolo da Eurídice.
Por Zeus! Por quem me tomas?!
Seja como for, eu preciso de experimentar novos sabores, sou uma jovem ainda. Contigo é sempre pudim! Adeus Marte!
Vénus preparava-se para sair de casa enquanto Marte chorava num canto, até que o pudim interveio, num rasgo de heroísmo pouco comum em Homens ou Deuses.
- Papás, não tem mal, eu próprio me como. Preciso apenas de três coisas: uma colher, canela, e um beijinho de despedida.
Ainda de lágrimas nos olhos deu a primeira colherada.
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