23 February 2019

Divinal suspiro de Vénus


Mickey Mouse, num guardanapo, pensava:
- (Sou) feliz!
Desde que o sumo não faltasse...

Larigot lembrava um leitãozinho a mamar.
As tetinhas tinham leite (mas era) para o bezerro (se) manter.

Uma quinta-feira à noite:
- ALL ALONG THE WATCHTOWER...
- Homem, traz-me as chaves para a compreensão! Com suminho era divinal - suspirou Vénus - Marte, liga lá o carro, amor!
- Não chega tinta no dedo para fazer uma lei!
Vénus tinha saudades (d)as migalhas que sujavam o casaco de Larigot.
Caíram os dois no Inferno de Hades.
- Olá! Bem-vindos! Este é o hino nacional!


(original)

Mickey Mouse, num guardanapo, pensava, feliz, / desde que o sumo não faltasse. Larigot lembrava / um leitãozinho a mamar nas tetinhas / tinham leite para o bezerro. Manter uma quinta /-feira à noite. Homem, traz-me as chaves / para a compreensão: All along the watchtower com suminho era divinal / suspiro de Vénus. Marte, liga lá o carro amor! / Uma lei para a qual ele não nos faz uma / tinta no dedo. Vénus tinha saudades de quando / as migalhas que sujaram o casaco de Larigot caíram / os dois no Inferno de Hades. Olá! Bem-vindos! / Este é o hino nacional!

1 comment:

  1. Tal como os restantes cadáveres e escritos deste dia, é possível descortinar ao longo deste texto várias influências do mundo exterior, nomeadamente o quarto específico onde os autores se encontravam e todas as suas referências sonoras, visuais, tácteis e gustativas. As migalhas, por exemplo, são detritos das batatas camponesas já mencionadas no texto anterior e, no final, há uma alusão a uma composição de Kid A dos Radiohead que também estaria a ressoar das paredes amarelas. Tudo isto para dizer: embora o que aqui lemos sejam trabalhos claramente ímpares e seminais na longa História da PALAVRA, os artistas não se coíbem de se inspirar, qual Niklas Koppernigk a fazer cálculos na sua catedral, na Natureza.

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