Numa terra distante, perto da do Shrek... Estava um ogre que apreciava travestir-se e poesia Pessoana, um distinto samurai barrigudo, famoso pela sua katana e pelos seus duches, e uma guerreira de terracota chinesa que odiava aeroportos a baterem palmas. Pararam repentinamente e o samurai alertou:
`Chegou a minha avó! Tenho de ir buscar insulina pois, de outro modo, ela falecerá devido a situações adversas!'
`Vai lá, depressa! Nós vamos merendar' afirmou o ogre.
Semanas depois encontraram-se no mesmo local.
`A vovó explodiu' choramingou o samurai.
`Sendo assim devíamos tentar consertá-la de imediato! Vou buscar a fita-cola.'
Entretanto, na Tailândia, o stock de insulina estava a chegar ao fim, uma chatice para o Salpicão Vader.
A guerreira voltou com a cola, nua, e gritou:
`Perdi tudo no caminho, excluindo a cola pois esta agarrou-se à roupa que cobre os cotovelos. Sobrou algum pois então.'
O samurai saiu do joelho do ogre, feliz, e perguntou: `E os pedaços de borrego? Trouxeste?'
`Não, só os cornos de boi e os restos de frango do Verão passado.'
Colaram a avó com os cornos e os restos de frango. No final da operação a senhora disse: `Se calhar deviam ter usado a cola. Mas já que optaram por essa via, vou-vos marrar!'
Que belo espetáculo ocorreu na terra distante, perto da do Shrek. Os amigos sacudiram-se e seguiram a demanda que lhes foi dado pelo pai do ogre, Vader.
`Sou o teu tio... Ai! Enganei-me! Sou tio do teu primo samurai. Encontrei a minha seringa mas preciso que ajudem a minha querida Tailândia a recuperar o stock de insulina' havia ele dito há sete minutos, quando o samurai estava a tomar um duche no joelho do ogre.
Partiram de madrugada mas tiveram de acelerar o passo porque anoitecia sempre que a guerreira ouvia um avião a aterrar num aeroporto. Passados cinco minutos, o ogre lembrou-se:
`Esqueci-me de vestir uma saia para condizer com aquele penedo que o samurai tem no nariz! Voltemos a casa.'
`Estás maluco, Jacinto! Estamos só a dois metros da insulina!'
`Não quero ir nestas figuras buscar a insulina. Não estou com o traje adequado para visitar a farmácia! Maluca estás tu, Fernanda Teotónica!'
`Parem lá com essas mariquices e andem.'
O Jacinto mandou um tabefe na boca do samurai.
`Cuidado, cuidadinho. Quem manda é a moda, a modinha!'
Mas a Fernanda pegou nas meias do ogre e rasgou-as. Avançou depois dois metros e apanhou a insulina. Nisto o ogre revelou ser Eça e declarou: `Sou essa pessoa chamada Eça que tem um bigode bem jeitoso acompanhado de um monóculo redondinho. Ouçam as minhas palavras sábias: Um primeiro, seguem-lhe dois e depois quatro, esqueceu-se-me o elefante. O tal três, tal e qual. Bem, passando a outras frases digo-vos: tenho de bazar pois está na hora.'
`Que sujeito tão esbelto e perspicaz!' emocionou-se Fernanda `Vou-lhe comer as unhas dos pés presas nas meias' disse ela, visivelmente excitada.
`Que parvoíce! Temos de entregar a insulina ao titio do Eça o quanto antes.'
Fernanda deu-lhe na cabeça para se calar. Merendou então as relíquias de Eça. `São sensaboronas, preferia comer pão com ervas daninhas. Seguiram um castor para chegar ao Salpicão Vader.'
`Aqui tem a insulina.'
`Só dá para mim, os tailandeses precisam também. Maldita diabetes!'
Nisto chove açúcar e sal, algo desagradável para diabéticos.
`Ai que morro cheio de sede! Destino cruel para o mais salpicão de todos os Sith!'
E faleceu. Nisto, o samurai confessou: `Eu gosto é de açúcar derretido.' e foi lamber o canto da armadura de Vader. Pegou na espada e na guerreira e juntou-os numa tigela com os tailandeses, zangado.
`Vou-vos transformar em pasteis verdes.'
Mas a guerreira preferia salgados e pediu: `Quero ser um croquete azulado para ser comida às colheradas grandes.'
`És marota!' guinchou um tailandês moribundo e desdentado.
O samurai procedeu à transmutação. Cinquenta milhões de pasteis e um croquete depois, disse: `Uma bela almoçarada me espera! Vou convidar a Teresa Guilherme e a minha avó.'
Teresa estava indisponível, portanto, foi um almoço a dois, com velas e ornitorrincos a cantar o yoddle.
`Comia a Lua inteira ao teu lado, vovó Natalia. Mas, infelizmente, só temos cinquenta milhões de pasteis e um croquete ranhoso.'
`Não faz mal' e arrotou, satisfeita com os pasteis.
`Ai! Que má educação' desviou os olhos para o banquete e viu que só sobrava a Fernanda `Vou papá-la!'
A avó explode de raiva e da ingestão de cinquenta milhões de pasteis de tailandeses.
`Que falta de etiqueta têm estas avós!' disse `Para a próxima vez almoço com o que sobra do avozinho.' E comeu a mesa toda e a guerreira também, tal como os macacos comem bananas. Apareceu José Cid e matou-se com a katana de kryptonite, enfiando-a na garganta enquanto catava: `Como os figos gostam de martelos eu gosto de ti.'
O samurai decidiu chutar uma pedra que fez ricochete nos óculos do Cid e acertou em cheio nos seus dentes. Os ornitorrincos abraçaram-se ao samurai. `Gostamos é de música do Tony Carreira com arranjos do Emanuel! É um regalo para os olhos e ouvidos.' O samurai comeu-os de rajada. `Não aprecio abraços. Agora vou-me deitar que já me dói a boca de tanto mastigar. Amanhã suicido-me com uma das unhas do gajo do bigode' E foi-se deitar.
Durante a noite sentiu uma presença mas decidiu ignorá-la. Acordou com uma pinha na cabeça. `Quiê? És tu, minha amada mulher?'
`Sim, fofo' disse uma miúda feita de pinhões. Cabecearam-se e o samurai despediu-se: `Vieste num dia bonito mas tenho de me suicidar antes que aconteçam coisas aborrecidas.' Nisto, aconteceram coisas aborrecidas. `Ah, já não vou a tempo. Caramba! Vamos caçar laranjas. Quero fazer uma limonada e ficar em coma alcoólica! Sinto-me demasiado sóbrio e doce para te amar.'
E foram, mas um pinguim comeu-a e fez-lhe cocó na orelha. `Ai! Estou cego!'
`Não temas, eu sou surdo' exclamou o pinguim.
`Não gosto dos teus conselhos, pinguim infernal.'
`Então vais morrer!'
`Eu já prometi que me suicidava antes do galo cantar'. Sacou da unha e fez dela a arma de suicídio. Cravou-a na perna. Não funcionou. `Tens ideias, pinguim?'
`Embora não seja fã de espetáculos sangrentos, sugiro cortar os cotovelos com uma tesoura.'
`Não tenho tesouras. Dá-me o teu cotovelo, por favor.'
`Não tenho cotovelos, mas toma o meu bico.'
E matou-se, explodindo em seguida.
Crow & doom

No comments:
Post a Comment